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Mulher de MS é impedida de amamentar após falso resultado de HIV positivo

Durante o parto, a mulher teve princípio de eclampsia com pressão alta

Uma moradora de Campo Grande foi impedida de amamentar o filho mais velho após teste rápido na hora do parto, em abril de 2007, em um hospital estadual de Mato Grosso do Sul, apontar HIV positivo. Ela fez outros exames, que deram negativo e acionou a Justiça.


Em fevereiro deste ano, o juiz Marcelo Guimarães Marques, da 3ª Vara de Fazenda Pública e de Registros Públicos, mandou o governo do estado pagar à mulher R$ 10 mil em indenização por danos morais. Em nota, o governo disse à TV Morena que vai cumprir a determinação.


Durante o parto, a mulher teve princípio de eclampsia com pressão alta. Foram recolhidas amostras de sangue e quando ela iria amamentar, foi informada do HIV positivo. "Quando eu vim dar [leite], chegou o médico correndo e arrancou ele [bebê]. Mãe, você não pode amamentar porque você é soropositivo, você é soropositivo. Eu gritei, eu gritei", lembra, ela, que teve que tomar coquetel AZT, que é o medicamento usado contra o vírus, e não recebeu resultados de outros exames feitos no hospital.


A mulher conta que falou para o médico que no exame feito no pré-natal não foi apontado o vírus. No cartão dela de gestante constam oito consultas durante o pré-natal e o exame de HIV como negativo.


Por causa do falso resultado do teste feito durante a cesariana, a mulher teve problemas no casamento. Ela e o marido fizeram novos exames em laboratório particular, os quais apontaram negativo para HIV. Ela então acionou a Justiça e teve ganho de causa.


A bioquímica Camila Muzzi Grinfielder, explica que a amostra de sangue para exame de HIV é etiquetada mediante apresentação de documento do paciente com foto. Em caso do teste dar positivo, novos são feitos, podendo chegar a três. "Isso é preconizado pela portaria 151 do Ministério da Saúde", diz.


Camila afirma ainda que existe o falso positivo. "Casos de paciente com insuficiência renal, que faz hemodiálise. A vacina contra H1N1 pode dar reação cruzada e a gestação mesmo. Os anticorpos maternos podem dar uma confusão na hora da reação", fala. A médica infectologista Priscila Alexandrino diz que o exame de HIV é "extremamente sensível".


Agora, a mulher é mãe novamente. Dessa vez, de uma menina e pode amamentá-la. "Deus ainda me deu essa filha que eu posso amamentar. Ainda doo leite para o hospital, para ajudar outras crianças".

Fonte: G1
Data Postagem: 06/03/2014
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