Sbado, 29 de Abril de 2017 | E-mail para contato: contato@nvnoticias.com.br

Tráfico humano: MS tem 'tabela de preços' para mulheres de acordo com a cor, diz especialista

Estela destaca a importância da Igreja na discussão e prevenção do tráfico de gente, a dificuldade na articulação de ações conjuntas de combate e a triste realidade das vítimas

Quando soube que a Campanha da Fraternidade deste ano trataria do tráfico humano, a cúpula católica em Mato Grosso do Sul tratou de chamar a assistente social Estela Scandola para saber mais sobre o tema.


Referência no assunto, integrante da Rede Feminista dos Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos, doutorando pela Universidade de Lisboa e cuja história de vida confunde-se com o estudo de temas sociais espinhosos, ela ajeitou o cabelo cuidadosamente pintado de roxo e parou um pouco de escrever seu artigo sobre a influência da globalização no tráfico de pessoas para dar a entrevista.


Estela destaca a importância da Igreja na discussão e prevenção do tráfico de gente, a dificuldade na articulação de ações conjuntas de combate e a triste realidade das vítimas, de homens semianalfabetos em busca do sustento de suas famílias a crianças e adolescentes usadas como mercadorias do sexo.


O que representa uma instituição como a Igreja Católica trazer à tona o tema tráfico humano?


É uma força muito grande porque a igreja, todas elas, tem uma capilaridade imensa nas comunidades, isso é fundamental. Segundo, a igreja consegue atrair a grande imprensa e dizer o que está acontecendo. Mas é preciso tomar cuidado para que valores conservadores presentes na igreja – não estou dizendo que toda a igreja é conservadora – não nublem a garantia de direito das pessoas. É preciso que a garantia de direito suplante a questão do que eu penso sobre o que a pessoa está fazendo. (A garantia de direito) Tem que ser, pensando em carnaval, a comissão de frente.


Recentemente fui abordada após uma palestra em uma igreja e me disseram: “Estela, acho bonito o jeito que você fala, só que é o seguinte, se a mulher quer continuar em pecado o que eu posso fazer?”. A pessoa não entendeu o que eu tinha dito. Estou dizendo: no enfrentamento ao tráfico não cabe nenhum julgamento sobre aquilo com que as pessoas estão trabalhando, não cabe a nós nenhum julgamento.

Fonte: Midia Max
Data Postagem: 07/03/2014
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