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Estado tem 202 mil analfabetos, quase a população de Dourados

Pela PNAD 2013 é possível afirmar que 8,42% da população sul-mato-grossense com idade igual ou superior a cinco anos, é analfabeta

A quantidade de analfabetos em Mato Grosso do Sul, entre os habitantes com idade escolar - pessoas com cinco anos ou mais de idade - cresceu 5,7% em 2013 se comparado ao ano anterior, 2012, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados ontem. De acordo com o levantamento, até ano passado, 202 mil pessoas (quase a população de Dourados, de 210 mil habitantes) que moram no Estado não sabem ler e escrever um bilhete simples, critério do instituto. Em 2012, 191 mil eram analfabetos, 11 mil a menos que em 2013. 


Pela PNAD 2013 é possível afirmar que 8,42% da população sul-mato-grossense com idade igual ou superior a cinco anos, é analfabeta. Arredondando a conta, é como juntar um grupo de 20 pessoas e anunciar que três delas não são alfabetizadas. As 202 mil pessoas que não sabem ler e escrever foram descobertas entre 2 milhões 398 mil pessoas, número de habitantes de cinco anos de idade ou mais. Em 2012, quando tinha 191 mil analfabetos na cidade, esta mesma fatia da população era de 2,3 milhões. Note que enquanto o analfabetismo subiu 5,7%, o crescimento da população foi inferior: 1,3%.


A dona de casa Maria de Lurdes da Cruz, 56, nascida no pantanal sul-mato-grossense, é um dos que não lêem e nem escreves, indicados pela pesquisa do IBGE. Ela disse que o pai, a mãe e os nove irmãos não frequentaram escolas porque moravam em fazenda, distantes da escola.
“Fomos nascidos e criados na roça, tínhamos de plantar o arroz e o feijão, do contrário passávamos fome, por isso não estudamos. Foi por falta de oportunidade, só isso”, justifica dona Lurdes, moradora da favela Portelinha, em Campo Grande. Por não saber ler nem escrever, anteontem, disse ela, não pode preencher um cadastro preparado pela prefeitura que relaciona às pessoas beneficiadas com uma casa depois de destruir a favela. Ela contou que o pessoal responsável pelas inscrições não levou o material que colhe a digital de quem não sabe ler. “Disseram que voltam na segunda”, afirmou Lurdes.

Depois de receber a casa que espera, Lurdes disse que vair procurar um local de ensino para aprender a ler. “Ainda dá tempo, hoje não estuda quem não quer. Tudo é mais fácil, mas antes era impossível para as pessoas que moravam em fazendas. Minha mãe tem 91 anos e não teve essa oportunidade”, afirmou a dona de casa.

Fonte: Correio do Estado
Data Postagem: 18/09/2014
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