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Três dias após reeleição de Dilma, BC eleva juros básicos para 11,25%

Em sua primeira reunião após a reeleição da presidente Dilma Rousseff, o Banco Central surpreendeu e elevou a taxa básica de juros da economia de 11% para 11,25%. A alta do dólar e a piora nas contas públicas foram os motivos que levaram 5 dos 8 integrantes do Copom (Comitê de Política Monetária), incluindo o seu presidente, Alexandre Tombini, a decidir elevar a taxa Selic -três diretores votaram pela manutenção. Durante sua campanha, a presidente Dilma sempre buscou associar seu adversário Aécio Neves (PSDB) a uma política econômica de juros elevados contra a inflação.


As apostas no mercado eram de manutenção de juros neste momento, com possibilidade de alta a partir de dezembro deste ano. O aperto monetário, três dias após a reeleição da petista, foi visto como tentativa de reconquistar a credibilidade da política de combate à inflação.


No comunicado da decisão, o Copom informou que “a intensificação dos ajustes de preços relativos na economia tornou o balanço de riscos para a inflação menos favorável”. Os “preços relativos” que vinham sendo citados pelo BC como responsáveis pela inflação recente eram as tarifas e o câmbio. “À vista disso, o Comitê considerou oportuno ajustar as condições monetárias de modo a garantir, a um custo menor, a prevalência de um cenário mais benigno para a inflação em 2015 e 2016.”


A taxa Selic estava em 11% ao ano desde abril. Conforme a Folha de S.Paulo revelou anteontem, assessores presidenciais não descartavam uma alta de juros ainda em 2014, na última reunião do ano. O câmbio está entre os principais fatores que podem levar a inflação a ficar acima do limite de 6,5% fixado pelo próprio governo.


Em sua mais recente previsão, o BC projetou inflação de 6,3% em 2014, mas com um dólar a R$ 2,25. Hoje, a moeda está na casa de R$ 2,45. O aumento de 10% na cotação desde então é suficiente para estourar o limite da meta.


Outro problema do governo são as contas públicas, cujo desempenho tem sido agravado pela arrecadação abaixo do previsto e pelas desonerações tributárias. O BC afirmou em setembro que a política fiscal em 2014 contribuirá para o aumento da inflação. Em setembro, o IPCA chegou a 6,75% em 12 meses. A expectativa do mercado é que o indicador permaneça acima do teto até novembro e recue para 6,44% em dezembro, voltando a subir no começo de 2015. 

Fonte: Diário MS
Data Postagem: 31/10/2014
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