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Um ano depois, pivô de caso de racismo busca voltar a ter "vida normal"

Era 28 de agosto de 2014, o Grêmio perdia para o Santos por 2 a 0 em jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil. O goleiro Aranha iria cobrar um tiro de meta, mas antes sinalizou insistentemente para o árbitro Wilton Pereira Sampaio. Apontava para a torcida localizada na arquibancada da Arena. Indicava que tinha sido alvo de injúria racial. As câmeras de televisão voltaram-se para os supostos agressores. E flagraram Patrícia Moreira, aos gritos, chamando o camisa 1 de 'macaco'. A partir dali a vida da jovem de 23 anos mudou completamente.


Antes anônima, Patrícia virou o símbolo do caso de racismo contra o goleiro santista. De cara, teve perfis em redes sociais bombardeados por xingamentos. Cancelou todos. Sua casa foi apedrejada. As imagens rodaram o mundo. Virou caso de polícia. 

 

Aranha registrou ocorrência, ela respondeu com outros três torcedores (Fernando Ascal, Éder Braga e Rodrigo Rychter) e teve transação penal para comparecer a uma delegacia uma hora antes e sair uma hora depois dos jogos do clube. A pena acaba neste sábado. 

 

E não foi somente isso. Um vizinho tentou atear fogo na casa onde ele residiu. Ela já não morava mais ali, tinha se mudado para Alvorada, na região metropolitana de Porto Alegre. O responsável admitiu à polícia que tinha feito isso por ficar 'com nojo' da atitude da jovem loira. 

 

Pediu desculpas, chorou, foi perdoada por Aranha (veja no vídeo acima, de 2014) e viu com o tempo o caso ser 'esquecido'. Mas não completamente. Nos meses que seguiram à decisão de transação penal, Patrícia cumpriu rigorosamente a determinação. Apresentou-se em uma delegacia nos dias de jogo. O celular virou alternativa para acompanhar o Grêmio. 




Relembre o momento em que Patricia chama Aranha de macaco




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E busca voltar a ter uma 'vida normal'. Criou perfis novos nas redes sociais, mas em uma delas acabou tendo problemas. Postou uma foto com o ídolo do Internacional, D'Alessandro. Voltou a ser alvo de xingamentos. 

 

Por isso, a repercussão do caso ainda assusta. Patrícia Moreira promete jamais voltar à Arena do Grêmio. Tem medo de ser reconhecida e que os torcedores tentem agredi-la. "Imagina se ela vai e é reconhecida, o que pode acontecer?", diz uma pessoa próxima a jovem. 

 

Novamente morando em Porto Alegre, ela conseguiu novo emprego (tinha sido demitida depois do caso) e segue tratamento psicológico, que dura um ano. A casa onde residia foi alugada. 

 

"Nunca mais a vi. Por aqui nunca mais esteve. Nem os familiares eu não tenho visto", disse Altair Salgado, vizinho da antiga casa de Patrícia. 

 

O Grêmio, que perdeu pontos e acabou eliminado da Copa do Brasil do ano passado por conta do caso, faz questão de tentar esquecer tudo que houve. E a torcida, que chegou a proibir músicas utilizando o termo 'macaco' e 'macacada' para se referir aos aficionados do Internacional, hoje já não é tão rigorosa. Os cânticos foram, por exemplo, entoados antes do último clássico Gre-Nal. 

 

 
Fonte: fatima news
Data Postagem: 28/08/2015
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