Sexta-Feira, 28 de Abril de 2017 | E-mail para contato: contato@nvnoticias.com.br

Problema "invisível" precisa de conscientização da população e esforço de empresa para ter fim

Mesmo com 81% de cobertura de rede de esgoto, Capital possui 125 mil fossas

Invisível aos olhos, mas não ao meio ambiente, a existência de fossas sépticas em Campo Grande é motivo de dor de cabeça para especialistas da área e para quem precisa administrar todo o saneamento básico da cidade. Atualmente, estima-se que existam 125 mil buracos no solo da Capital, muitos irregulares e que representam risco à saúde da população e ao meio ambiente. Um número que chama atenção é o da existência de pelo menos 25 mil dessas fossas em bairros onde a rede de coleta e tratamento de esgoto já está implantada, ou seja, a conscientização dos moradores é mais do que nunca necessária para o fim desse problema.


Exemplo para muitas prefeituras quando o assunto é saneamento básico, Campo Grande possui um total de 81% de cobertura de coleta e tratamento de esgoto. Com ampliação iniciada em 2006, a expectativa é que 100% das casas da cidade tenham coleta e tratamento dos resíduos até o ano de 2025.


Para que tudo saísse do papel e se tornasse realidade nas casas, a concessionária Águas Guariroba deve investir, até a data limite para a cobertura total, pelo menos R$ 891 milhões só no programa Sanear Morena, que conta com três fases.


O investimento e o esforço do poder público aliado às ações da concessionária não são suficientes se uma atitude simples não partir do morador: a ligação à rede de esgoto. Das 125 mil fossas que existem hoje em Campo Grande, 25 mil estão em áreas onde a rede existe, mas por uma série de justificativas não é usada.


Presidente há mais de 20 anos da Associação de Moradores do Setor 3 do Aero Rancho, bairro mais populoso da cidade de acordo com levantamento recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Jailson Nabhan, de 40 anos, explica que em boa parte do bairro a rede de esgoto já existe, mas a resistência de moradores em fazer a ligação faz com que muitas casas ainda tenham o antigo sistema de fossa.


“Temos vários casos de moradores que não fazem a ligação. A gente incentiva, informa através de panfletos e até vai às casas para explicar a necessidade por conta da saúde, mas muitos preferem continuar com a fossa”, afirma o presidente.


Enquanto muita gente despreza a rede e prefere correr o risco de contaminar o solo e prejudicar a saúde da família e dos vizinhos, em outros bairros o “sonho de consumo” é que a rede seja instalada. Localizado na região oeste de Campo Grande e conhecido por moradores antigos como “brejo”, o bairro São Conrado está na lista da concessionária e deve ter toda a rede instalada e funcionando até 2023.


Moradora do bairro há 28 anos, Evanilde Oliveira, de 52 anos, tem três fossas sépticas em casa e espera pela rede. A algumas quadras na casa dela, no mesmo bairro, a tubulação e todo o sistema de coleta já foi instalado e funciona, mas para ela e alguns vizinhos, a existência da rede ainda depende do cronograma da Águas Guariroba.


“A gente tem um sonho de ter o esgoto aqui e torcemos para que chegue logo. Eu tenho três fossas na minha casa e ainda tenho piscina, sem a rede, preciso liberar a água na rua quando faço a limpeza e os dejetos de casa vão para a fossa”, conta.


A moradora revela ainda que entre os que vivem no São Conrado, os benefícios de ter a rede de esgoto serão muito maiores do que a taxa de ligação e o valor cobrado na conta de água, justificativa de muita gente que prefere continuar com as fossas.


“No mesmo dia que passarem com a rede aqui eu e muitos vizinhos iremos fazer a ligação. Sabemos da importância e dos riscos para o meio ambiente em continuar com as fossas”, completa.

Fonte: correio do estado
Data Postagem: 29/09/2015
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