Segunda-Feira, 24 de Abril de 2017 | E-mail para contato: contato@nvnoticias.com.br

Medalha de ouro não caiu do céu: título tem dedo gringo e investimento

Foi a primeira medalha conquistada pela modalidade no país em um Mundial

O dia 22 de dezembro de 2013 vai ficar marcado na história do handebol brasileiro. A seleção feminina sagrou-se campeã mundial invicta ao vencer a anfitriã Sérvia por 22 a 20 na decisão. Foi a primeira medalha conquistada pela modalidade no país em um Mundial.


O caminho até a taça, porém, não foi percorrido apenas nesses 17 dias de competição na Sérvia. A trajetória começou muito antes, nos idos de 1995, quando a seleção feminina disputou pela primeira vez um Mundial, perdeu os quatro jogos que fez e acabou em 19º entre as 20 seleções participantes.


Em 18 anos, foram muitos obstáculos vencidos. Muitos dramas. Muitas derrotas. Muitos momentos vividos por Dara, Alexandra Nascimento e Dani Piedade, que em 2001 e 2003, por exemplo, venciam o Sul-Americano e o Pan-Americano de Santo Domingo, mantendo a hegemonia nas Américas, mas longe de ter qualquer reconhecimento na Europa. Aliado a isso, o sucesso na Sérvia tem o dedo de um técnico estrangeiro, o intercâmbio no exterior e a chegada de patrocinadores, fatores que, juntos, culminaram no sonho realizado.


- Falo sempre. Não podemos esquecer as pessoas que começaram esse projeto. A Zezé, que hoje comenta nossos jogos. As outras atletas do passado também. Para as crianças, que amam o handebol, eu digo, não desistam. Essa medalha significa nosso passado, tudo que batalhamos até agora - desabafou Alexandra, eleita a melhor jogadora do mundo em 2012.


A trajetória desta geração até o pódio inédito começou, de fato, em 2009, quando o técnico dinamarquês Morten Soubak, campeão brasileiro com o Pinheiros, no masculino, foi contratado para a seleção feminina. Morten chegava com uma meta. Preparar a seleção para o ciclo olímpico de Londres 2012. Nesses quatro anos, começou com um 15º lugar no Mundial de Pequim, na China, mas em 2011 já surpreendeu com um inédito quinto lugar no Mundial de São Paulo. Um ano depois, em Londres, nas Olimpíadas, o Brasil caía nas quartas de final para a Noruega, que acabou campeã, mas conseguia um sexto lugar inédito também.


- Passa muita coisa na minha cabeça. Para as meninas, foi um passeio que começou em 2009. Nesse ano, chamei 48 jogadoras para a seleção, o que é um absurdo. Era meu primeiro ano na seleção e tive muitos problemas. Até de jogadoras que não quiseram mais jogar pela seleção. Em 2010, foram duas fases com as jogadoras da Europa, outro absurdo. E depois, já sabendo que teríamos um Mundial em São Paulo, tivemos que montar um time em um ano para 2011. Montamos e chegamos às quartas de final, perdendo no último segundo.


E nas Olimpíadas, bem, perdemos de novo nas quartas. Isso estava engasgado. É um prazer ver o compromisso delas e que essa caminhada deu certo. Jogamos 18 jogos em dois Mundiais e perdemos apenas uma partida. Dificilmente alguém vai bater esse recorde - disse o técnico Morten.


 


 

Fonte: G1
Data Postagem: 23/12/2013
PUBLICIDADE